quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Expressar: o ser quem sou e é mulher - Parte II

Despertar

Mas vai acabar. Sangrar é para ser natural, assim como o sentir. Por isso, sangramos. Todo mês. Religiosamente. Por quase toda a vida. E na força dele, vai ceder tudo o que não o pertence. E reagir. E reafirmar o contínuo, o compromisso com a naturalidade. O ser espontâneo, como o florescer. 
Nunca achei que sangraria assim. Mas foi assim para que eu ficasse mais forte. 
E vou seguir o ritmo do violino. Da guitarra. Do violão. Do cello. Inspirados no nosso corpo, mas o nosso como instrumento para desbravar o nosso próprio tom. Tons. Encontrarei. Re. encontrarei. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Expressar: o ser quem sou e é mulher - Parte I

Descobrir

De saber que sangro. De saber que é por dentro. De saber que sei, mas só afirmo pra mim quando ele se expande, se expressa e sai. Pula de mim. Num sobressalto. Já esperado. Escondido. Mas quando sangra. É verdade viva. É verdade que pulsa. E se afirma sem dizer mais nada. Clara. Um pingo. Dois. Enxergo. Depois da hora. Por que não antes? Por que tão depois? Por que deixar sangrar para perceber? Ignorância nas palavras, ignorar a mim mesma. Esperei. Esperei demais. Esse, o motivo. Esperar do que já era pra acabar. Um descontínuo continuado.
E saber que me deixei sangrar. Me permiti. Sem querer. 


Antes mesmo de acabar, 
dedico esse texto a todas às mulheres.
Não apenas pelo sofrer por amor,
mas por se doar demais.
Por se esquecer.

Mas nenhum ato assim
 é permanente.
Há a vida.
Há a força.

E, esses, os meus desejos.
Força a mim, a todas.
Sejamos quem somos.