quarta-feira, 20 de julho de 2011

Em busca da inspiração, terceira parte.

Com o passar das décadas, a menina desistiu das frequentes tentativas de libertar a sua inspiração e foi vivendo vazia. Sim, um  vazio que a atingiu ainda cedo e, com o tempo, expandia-se cada vez mais. Esse vazio não era intelectual, era sentimental, uma frieza sem tamanho para o amor, a únião e as tragédias que corriam pelo mundo, como se nada que acontecia fosse real. Seu coração não se aquecia mais e aquele sol que ela dizia ver nascer em algumas noites não mais aparecia.
Seguiu uma carreira em Direito, passou num concurso público e viu-se realizada financeiramente. "Para que serve o meu dinheiro", pensou consigo, "se o que mais quero, o que mais busco, não há como comprar?" Naquele momento, passou a relembrar daquela inspiração perdida em seu peito. Pensou que ela não existisse mais só que, de repente, sentiu algo inquieto dentro de si que gritava silenciosamente. Pegou um lápis e um papel num pulo. Escreveu um, dois, três textos mas todos eles não tinham valor sentimental para ela e não, ainda, eram bons o suficiente. Olhou para os textos e para os rascunhos caídos no chão e, de repente, seus olhos começaram a arder e lágrimas invadiram-no num segundo. Chorou por nunca ter conseguido pensar numa ideia que a agradasse por completo, caiu num pequeno desespero. Como costumava acontecer antigamente, voltou a ter aqueles sentimentos dos quais pertenciam-na quando era pequena. Não sabia mais o que fazer, mas determinou-se em não desistir do seu maior sonho: escrever um livro.

3 comentários:

Thaís A. disse...

Que bonito o texto; bem trsite também. As vezes me sinto assim. Ausente de inspiração e o pior: de ideías, me sinto perdida... E mesmo quando as consigo, o que escrevo acaba não sendo o suficiente, é difícil :/
Mas como ela que se determinou um objetivo, somos capazes de conseguir qualquer coisa, não?

Natalia Campos disse...

Belo texto. Vez ou outra me sinto assim: vazia, sem inspiração. Mas abro um sorriso largo quando ela bate à porta do meu coração e preenche meu ser por completo. Meu sonho? Também é escrever um livro. Não desista do seu sonho. Você é bela e real com as palavras. Das suas palavras ainda sairá um livro encantador, cheio de surpresas, amores, sabores. Não desista e se por acaso a falta de inspiração te desanimar, corra para o papel. Rabisque qualquer coisa, escreva, mexa-se, não permita que o vazio congele suas mãos. Beijo grande em seu coração, minha querida. Beijos. Au revoir!

Karoline Freitas. disse...

Ela deve ser tão sozinha, tão pequenina perto da própria angustia e acho que sei muito bem o incômodo que é não conseguir se livrar desse aperto. Aquele lugar que ela tanto procurava, talvez seja o livro, nas histórias a serem criadas, nos romances inventados a completá-la. Belíssimo texto.

Queria eu ter coragem de escrever um livro.