sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sinal vermelho

Ele olhou para mim. Senti aquele olhar de uma forma tão intensa que, inconscientemente, procurei por ele. 
Achei-o. Sorri por dentro. Continuei olhando. O coração ouviu a música do momento e começou a dançar com tanto ânimo que assustei-me. Mas deixei que dançasse sem medo. Dançou, dançou, dançou, sorriu. 
E parou subtamente. Num susto, virou pedra. Os olhos verdes da Medusa encontrou os olhos de meu coração. O sinal abriu. 
Ele atravessou. Eu atravessei. Ele seguiu o seu caminho. Eu segui o meu, ainda com ele, mesmo que não estivesse mais comigo. Será que foi-se embora comigo também?
Como Aquiles, encontrei-me com a paixão que, num outro piscar de olhos, já morria não em si, nem em mim mas no momento e com o momento. Assim, entre uma e outra efemeridade, vivi. (Vi. Vi.)
Olhei para trás. Vi-o afastando-se. Meu coração descongelou-se entre lágrimas que passou a soltar baixinho junto com os meus olhos que andavam acompanhando o chão. O dia ganhou gosto de luto amargo, relutante, incessante. De início, lutei contra o luto, que venceu e me domou, fazendo-me apenas sensações parentes do seu sobrenome.
Assim, parti. 
Assim, senti.
Assim, não me esqueci. 
E, no fim, quis repetir. 

[Sobre laços momentâneos.] 
Da série Olhares e Sinal Fechado

Um comentário:

Karoline Freitas disse...

Pegou uma parte minúscula e a tornou gigante. Não gigante monstruosa, assustadora... Gigante importante. Aquelas cenas que todo mundo encena dia após dia, mas não nota que pode fazer a diferença na vida inteira.

(Eu não ando comentando porque nunca sei o que comentar, os comentários estão se escondendo de mim, mas te leio e te sinto e isso me fazem tão bem.)