terça-feira, 30 de agosto de 2011

Choro da alma, primeira parte.

Naquele momento, o plano era o seguinte: matar todas as esperanças existentes em todos os corações de uma massa de pessoas, uma população. O plano foi feito com sucesso, salvo algumas exceções que, felizmente, tiveram forças para resistir em tempos tão difícies como aqueles.
Eles não só mataram as esperanças, mas também ideias inovadoras junto com seus criadores; mataram o bom gosto do povo sobre muitas artes, como a música e a poesia. O Brasil era todo Chico Buarque, Renato Russo, Juscelino Kubitschek e todo Karl Marx.
Nós enxergávamos bem, sabíamos usar nossos olhos. Falávamos sobre certos assuntos corretamente, como quem fosse mestre naquilo, tome a política como exemplo, pois qualquer jovem de quinze anos em diante tinha uma opinião (muito bem) formulada sobre ela. Não éramos alienados aos acontecimentos do governo, a televisão mostrava o que deveria mostrar e não somente o que gostaria que soubéssemos.
Sonho com que esses tempos voltem. Chorarei eternamente pelo o que reprimiu tais tempos tão intensamente que sonhar com sua volta parece ser um sonho impossível. Alias, todos que viveram-no, choram. Estas lágrimas já caíram pelo canto de nossos olhos inumeravelmente de vezes e não foi o suficiente para tamanha tristeza. A alma decidiu fazer um favor  para olhos tão cansados: encranhar tais lágrimas dentro de si. Quando lágrimas chegam na alma, é uma viagem sem volta. Não houve escolha, pois não tinha como esquecer, como parar de sofrer.
Ainda choramos pelas ideias, pelas boas vontades, os bons corações, os bons brasileiros, os que sabiam fazer história que morreram junto com a morte do bom tempo. Choramos por termos morrido por dentro. Choramos por vermos as consequências de toda essa morte atingir este novo século que estamos. Alias, uma curiosidade, você enxerga as consequências com clareza ou seus olhos ainda estão vendados? Se estiveram, não te culpo, é difícil tirar tais vendas, só te peço para lutar contra elas e conseguir vencê-las antes que deixe esse mundo. Veria tudo tão diferente que seria uma pena morrer sem saber da verdade que não é dita nunca, que muitos sabem mas que guardam-nas como se fossem segredo de Estado.
Conheça melhor os fatos, não deixe-se manipular e ser usado como mais uma ferrementa para a política, o capitalismo e o mundo. Não seja somente mais um nesse mundo, mostre o quanto humano você é e use a sua mente para pensar. Essa é a maior diferença entre os humanos com os demais animais, nós somos capazes de elaborar nossos próprios pensamentos. Honre esse dom. Se ele estiver morto, sobreviva-o. Assim, você também sobreviverá.

2 comentários:

Karoline Freitas. disse...

Li nas atualizações do cantinho do meu blog que postou um novo texto e quando li "primeira parte" fiquei toda animada. Risos. Ler primeira parte no título, quer dizer que terá outras partes. Quando tem várias partes, quer dizer que postará bastante. Tu postando bastante, Karol ficando feliz. Risos.

Estou sem palavras. Parece que se eu ousar comentar, não será o bastante de tão bonito e inteligente e belo e encantador e bem escrito que ficou. Ai, continua continua. *-*

Thaís A. disse...

Final espetacular!
Gostei muito do texto, de verdade. Mas chega ser até um pouco decepcionante perceber que o ser humano, inclusive o "brasileiro" perdeu toda essa presença de espírito, de estar pronta para ir atrás de seus direitos e tudo mais...