domingo, 7 de agosto de 2011

Nuvens brancas num céu azul

Sentadas no gramado do quintal, uma criança e uma adolescente, sua prima Ana, conversavam:
- Por que as nuvens são assim?
- Assim como? Quis saber a Ana.
- Assim, com formatos.
- Ah, os desenhos, claro. Elas são assim para que nossas mentes busquem imagens que se pareçam com elas. Treinam nossa memória e nosso lado criativo.
Depois de um pequeno silêncio que passaram a olhar para as nuvens, as duas riram e ficaram associando-as com desenhos que conheciam. Acharam um dragão, o Mickey, um fantasma, ondas do mar e uma casquinha de sorvete. Foi uma tarde agradável mas que, ao passar dos anos, caiu no abismo do esquecimento para as duas. Contudo, não chegou no final do abismo e foi salva por uma delas, a criança.
Após seis anos, a criança que ficou curiosa com a questão dos formatos que as nuvens faziam, tornou-se uma adolescente. Porém, outra criança estava com ela, agora, uma outra prima.  Numa manhã ensolarada, deitaram-se no gramado, que ficava no mesmo quintal citado anteriormente, e passaram a conversar sobre as coisas boas da vida com direito a muitos sorrisos, sonhos e suspiros. Num momento, a menor das duas que ali estavam, disse:
- As nuvens são estranhas.
- Por que diz isso?, a adolescente, um pouco assustada com o comentário, quis saber.
- Olhe só para elas! Não possuem um desenho único.
- Mas essa é a graça, querida.
- Por que são assim?
Ao ouvir essa pergunta, a adolescente lembrou-se momento que passou com a sua prima na sua infãncia como um filme que invandiu a sua mente de repente. Sorriu por ver, praticamente, o mesmo momento se repetindo e tirou aquela tarde que passaram juntas do esquecimento. Então, respondeu:
- Porque são feitas para trabalhar com a nossa criatividade. Por causa delas e de seus formatos podemos imaginar tantas coisas e, assim, passar o tempo de maneira agradável. Não diga nunca que são estranhas. Tente enxergá-las de outra forma, sei que conseguirá. Verá que se assemelham com coisas da nossa realidade. Sua mente é livre para imaginar, apenas deixe que seus olhos abram as portas para a imaginação. As nuvens são muito mais do que pedaços de algodão no céu.
A criança não sabia o significado de algumas palavras usadas na fala de sua prima mas, de alguma forma, conseguiu entendê-las e levou-as na mente e no coração pelo resto de sua vida. Passou a imaginar mais, a criar mais ao longo de sua caminhada. Mais tarde, tornou-se uma artista plástica maravilhosa conhecida, até este momento, nacionalmente. E, é claro, nunca deixou-se esquecer das palavras ditas por sua prima quando era criança. Frequentemente, andava olhando para as nuvens.

2 comentários:

Karoline Freitas. disse...

Uma vez eu fiquei olhando para as nuvens, moldando formatos, imaginando porquês e mais porquês daquelas belezuras. Eu estava com os meus dois primos no carro. No outro dia vi eles conversando sobre acidentes na avenida, helicópteros, polícia e perguntei: "quando? onde?" e eles me disseram que eu estava junto.
Não sei, agora acho isso engraçado. Eu, presa a formar desenhos nas nuvens eles preocupados com o trânsito. Minha infância (ou melhor, o que eu chamo de infância) está tão apagada, tão esquecida e lembrar disso, desse trecho solto da minha história me fez tão bem.

Ê, olha lá a Karol com comentário gigante sobre a bosta da infância-não-tida dela. Risos.

Já falei mas vou falar de novo: escreves tão verdadeiro.

Lisa Gabriela disse...

Ai que texto fofo e leve! sabe, dá vontade de continuar a ler e ler... :)
parabéns.

http://cinderelapeloavesso.blogspot.com/