domingo, 2 de dezembro de 2012

Reticências, última parte.

Sua vida foi defender-se da vida, de si... Do mundo. E isso ela fez bem. Na verdade, foi o que aprendeu a fazer de melhor durante todos esses anos: defender-se, e esta era a sua defesa contra todos os medos, inclusive o de não viver. (Falhou com este último.) 
Ao acordar do seu sonho-acordado, desejou baixinho "Vira realidade, por favor..." Seu pedido não foi uma ordem. Foi um pedido jogado ao vento que queria que passasse e levasse-na para um lugar, qualquer lugar, onde servisse de moradia para a realização de seu desejo. Mas o vento não passou. Sentiu dó, teve vontade de passar nem que fosse por um segundo... Mas, não. Ela deveria fazer isto sozinha. (Não fez.)
A lâmpada não apareceu. O gênio não apareceu para salvar aquele pobre coração que choramingava pelos cantos e que, antes mesmo de ver o ponto final da sua história, já decretava o fim. Depois, ainda se dizia esperançoso... Não sei que esperança é essa, coração. Se existir, só as paredes sabem. Elas guardam segredo nossos que nem mesmo nós sabemos, calam-se fácil. Talvez, um dia, foram como a moça que também deixava-se calar por pouco quando mais deveria seguir a sua voz, mesmo que esta faltasse no momento. Ela nasceria e haveria voz. Haveria... haveria... (Não houve.)
Foram-se embora. 
Assim que ela virou as costas, passou a inventar novamente mais um diálogo imaginário. (Ele também.)
E as paredes viram...
[De mim, nunca espere um final feliz.
Porém, se escrevo triste
não é para entristecer-te
é para criar coragem
e, nesse caso,
viver.

E outra:
nunca duvide
da imensidão
de um olhar.

Esse texto nasceu de um outro 
texto chamado Três Grandes Pontos
Pontos grandes mesmo,
por esconderem um 
mundo em si. ]

4 comentários:

Beatriz Oliveira disse...

Oi! Valeu pelo comentário. Nem sabia que alguém ainda lia o que eu escrevo (quando escrevo). Eu lembro do seu rosto, mas não do seu nome. Larissa ou viajei? Enfim, obrigada por ainda dar crédito ao que eu digo :D

Guilherme disse...

Que tenhamos nós, sabedoria das reticências, para que o Amor venha em nós e em nós continue...

Andorinha disse...

Eu estive por lá durante muito tempo lendo seus textos (os antigos mesmo), doida para que você postasse mais um. Você foi uma das primeiras pessoas que comecei a seguir, a acompanhar o que escrevia... Parece que foi ontem, mas foi rm 2009 (comigo, 2009 tem essa mania de fingir que está por perto).
Acabou que conseguiu se lembrar do meu rosto e do meu nome, risos.

Andorinha disse...

Que saibamos da grandiosidade das reticências e que o amor prevaleça. Desejos bons para o fim do ano.
Obrigada pela visita, Guilherme. (: