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sábado, 18 de dezembro de 2010

Dois corações

"Shhh, alguém vem vindo. Segure as lágrimas, Laryssa."
Já se tornou rotina ter que esconder o que há de maior em mim. Quando alguém se aproxima, eu mudo. Não importa quem seja, eu sempre mudo. Às vezes, fico parada olhando meu reflexo no espelho e chego a conclusão de que não sei mais quem eu sou, não sei quem é aquela garota que enxergo no espelho, não sei por que ela sorri ou mantém o olhar sério, não sei por que ela ainda está alí. Você sabe? Não, ninguém sabe. 
É estranho pensar que entendo muito mais as pessoas do que a mim mesma. É fácil de entendê-las, de ajudá-las e fazê-las felizes mas quando a situação inverte e vira-se para mim, o fácil deixa de existir. E pior, ninguém pode me ajudar porque nenhuma pessoa sabe como eu estou agora. Não sabem sobre o que estou pensando nem o que estou sentindo. 
Acho que se alguém me ajudasse, no começo, me sentiria desconfortável com a situação mas, depois, o conforto invadiria meu coração com rapidez, aquecendo-o. 
Tenho dois corações. Um que há poucos batimentos cardíacos, que vive na frieza e solidão e o outro ainda insiste em viver, ainda insiste em sentir todos os sentimentos bons que há no mundo, insiste em lutar contra os males que há ao meu redor, insiste em dar forças ao meu corpo para que eu posso continuar andando, respirando e lutando. 
Dois lados vivendo dentro de mim. Lados totalmente opostos que se contraem a todo o momento, um querendo vencer o outro e ver qual irá prevalecer no final de tudo isso.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

There are deafening silences

Três vidas. Três pessoas diferentes.
Um dia, eles tiveram suas vidas totalmente entrelaçadas mas hoje elas não fazem sentido algum juntas. Separaram-se. Restou-se somente lembranças doloridas e algumas poucas de felicidade que competindo com a dor, nunca venceria.
Um passado frio. E sim fim. Um passado que duraria para sempre.
Sempre.
O tempo poderia passar, o mundo poderia mudar, pessoas poderiam partir e surgir e no final de tudo, aqueles corações feridos ainda estariam lá, gritando de dor. Sangrando entre o tempo, o mundo e as pessoas.
O grito dos três tinham características equivalentes: surdo; inaudível.
Há silêncios que são ensurdecedores.

domingo, 26 de setembro de 2010

Quase inexistente

Ela caiu. Não levou um empurrão, não se jogou e não quis cair. Ela caiu porque estava sem forças. Suas pernas estavam cansadas demais. Ela precisava descansar, mas não parava nunca. Descanse agora, menina. Depois tire um momento só para você. E acorde.
Não se acostume com o descanso. Saiba se recuperar e ressurgir. Menina, não se perca no descanso nem em nenhum caminho que te ofereça essa possibilidade.

Eu queria saber me recuperar. Não me chame de "pessoa forte". Isso só me deixa mais fraca por me lembrar do quanto eu já fui forte.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O tempo passa. Mesmo quando parece impossível. Mesmo quando cada batida dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Por trás da mentira

Ela é cheia de sorrisos e jeitos ao falar, ao comer e andar. Cheia de jeitos diferentes quando gosta, ou não. Cheia de opiniões que dão o que falar e escutar.
Sua vida é repleta de histórias, difícil saber qual mais surpreendente. Difícil decidir o que ela tem de mais encantador. Difícil saber qual foi o momento mais feliz que passou por sua vida. Difícil. Garota difícil que mostra-se fácil a todo momento. Iludindo todos a todo o tempo. Criando uma imagem do que realmente não é. E por nem todos a conhecerem, ela não liga. Não liga ao querer agir como quiser com aqueles que sabe que nunca irão entendê-la de verdade, por isso simplesmente age. Deixando suposições e mistérios não desvendados por muitos. Ela sabe para quem os joga. Sabe com quem está sendo misteriosa, sabe quem é capaz de desvendá-la ou não. Escolhe com quem anda, e sabe o que quer. Mede os seus passos para não chorar nos ombros de alguém se algo, por acaso, ocorrer errado. Garota orgulhosa, acha que não precisa de ninguém para ajudá-la. Acha que sua capacidade defini-se em si mesma, sem outras opiniões ou intervenções. Apenas em si mesma, sem confiança suficiente em outro alguém.
Encanta a todos e sabe disso. Tem certa magia e mexe com o coração de quem pretende. Sua brincadeira é longa, brinca a vontade sem medo de que alguém tenha temores por ela por descobrir tudo sobre suas brincadeiras más.
Quando se tornar adulta, será mais arrogante. Irá aprender novas maneiras de se divertir com os seus fantoches, ou usará os mesmos modos praticados em seus bonecos na sua adolescência, já que nenhum deles falharam um dia. Dará importância para poucos, que se definem naquela minoria que conhece cada canto de seu coração, cada momento de sua vida, desde seu sofrido nascimento até agora. E morrerá por eles se for preciso. Afinal, não haviam muitas pessoas importantes em sua vida, mas quando uma se tornava essencial ela não teria uma simples essencialidade, mas falatidade de fazer com que aquela garota largasse sua própria vida para salvar seus poucos queridos, pois esses sim sabem que de encantador ela não tem nada. Sabem a sua verdade, sem precisarem desvendar qualquer mistério ou cair em alguma ilusão. Eles conhecem seu verdadeiro eu, que na verdade, não é nada daquilo que aparenta ser. Eles a viram em casa, quando o encanto chegava ao fim e fica sossegada no silêncio e o vazio que ele teme por serem capazes de enlouquecê-la facilmente. Viram sua dor. Enxergaram seu outro lado nunca imaginado por alguém. O lado mais secreto que havia naquela menina. O menos encantador, que por ser assim, agia como um imã segurando as pessoas que sabiam de sua existência ao seu redor por livre e espontânea vontade delas. O sofrimento dela era um verdadeiro imã, que quando caí sobre você, te deixava aturdido, tira seu sono e seus próprios pensamentos, sem querer, passam a ser somente sobre ela. E sua vida. E seu jeito. E sua fraude. Uma bela fraude. Uma fraude nunca vista por ninguém, a não ser aqueles que a conheciam. Esta fraude sim encantava por ser sempre muito bem feita, sem deixar rastro algum de sua existência.
Ela era uma verdadeira fraude. Fazia-se de alegre, sorria sem parar e mentia sobre a felicidade -que na verdade nunca a pertenceu- quando estava rodeada de pessoas, que logo imaginavam uma vida perfeita. Sem o que acrescentar ou retirar. Uma vida perfeita, em todos os sentidos.
A perfeição sempre atraí todos. Sempre nos envolve em seus braços dando-nos um abraço rápido, suficientemente capaz de mostrar tudo que pode oferecer a alguém. E aquela garota, parecia ser a única ter essa tal perfeição em sua vida, andando com ela de mãos dadas.
Mentia para ela mesma, e sabia disso. Mas era apaixonada por aquele gosto de ser o centro das atenções. De ser alguém que nunca foi, gostava de inventar. Gostava de dizer ter o que não tinha. Mas quando ficava sozinha em sua casa, ou em qualquer lugar de pura solidão, a imagem que criava para si desabava rapidamente, demoronava diante de seus olhos fazendo-a enxergar o quanto sua vida era vazia. O quanto não tinha valor. E o quanto doia ser assim.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Meu eu

Fico repassando diálogos em minha cabeça, ou invento alguns sobre aqueles que aconteceram e conto para mim mesma. Tudo para mim mesma.
Esqueço o que pensei no minuto anterior. E relembro de novo. Tudo de novo, nada novo. Sempre o que já sei, nada que apreendi.
Não paro de ler blogs e me identifico cada vez mais com certos textos. As pessoas na hora de descrevê-las parecem estar lendo meus pensamentos e me descrevendo melhor do que mim mesma. E sinceramente, não sei se me sinto bem ou não com isso.
Repenso em meus atos, repenso nos atos não atuados e deixo que eles se realizem no dia seguinte. O dia seguinte nunca chega, sempre adio. E fico adiando, adiando e adiando.
No final de tudo isso, vejo que não sou mais a mesma. Meu verdadeiro eu parece não estar mais em mim. Por favor, meu eu, não tire uma folga de mim. Volte. O quão rápido que puder. Correrei atrás de você, não fuja. Não fuja de mim, meu eu. De mim não...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Me retiro.

Estou sem meus ouvidos. Não ouço. Não escuto nenhum ruído.
Minha boca não serve mais para falar. Não mais. Ela não faz o seu trabalho. Não mais. Porém, meus olhos estão atentos a todo momento, em movimento. Observando cada detalhe, cada furada, cada deslize ou acerto, cada erro. E é nesse momento que minha boca se fexa, pois não adianta falar. Não adianta mais. Cansei de avisar.
"Cada um tem a sua própria vida e eu cuido da minha.", ouvi dizer. Eu estava indo, falando de boa vontade sem má intenções, querendo ajudar, somente. Mas ao contrário de meus olhos, os seus não enxergaram bem o que rolava sob o ambiente. E não estou perdendo nada com isso, a não ser que a falta de responsabilidades atinjam outras pessoas inocentes. Aí eu perco por sofrer. Porque dependendo de quem atingir, sofrerei.
O que me resta é me afastar. Fingir que não ouço. Fingir que não tenho falas. Calei-me. E minhas boas intenções cessaram-se. Assistirei tudo calada, infelizmente não tenho outra opção. Não há como não assistir. A situação não me envolve, nunca me envolveu, mas quem está no jogo é uma pessoa querida. Um jogo cruel. Que agora, pareço ser a única que consegue enxergar essa tal crueldade.
Peço a Deus. Queria que entregasse seu caminho a Deus. Peço proteção. Muita proteção.

sábado, 24 de abril de 2010

O outro lado da esperança.

Não sei como me encontro nesse exato momento, ás vezes bate esse sentimento de confusão. Confusão de mim mesma. Confusão sob meu coração, sob a minha vida, meus amigos não, sei quem eles são, e isso não me veem ao caso agora. O problema está comigo, posso sentí-lo. Sinto no ar, frio, congelante que há dentro de meu corpo. Lá fora faz um sol de quarenta graus, eu continuo aqui. O tempo passa e eu continuo com frio. Tenho vontade de correr e procurar o que pretendo achar sem ao menos saber o lugar onde ele se encontra. Seria loucura. Correria sem rumo, á-toa. Mas é essa vontade que sinto. Essa vontade não passa. Ela fica parada na minha frente, debochando de mim. Rindo, me testando sempre que uma oportunidade chega em suas mãos. E eu caio em suas garras.
Quando vou aprender? Quando vou crescer? Quanto vou ter que esperar? Quando a esperança morrerá? Temo de que a resposta dessa última pergunta seja nunca.
Hoje cheguei a pensar em escrever uma carta e jogá-la no mar e tudo por causa da esperança que ainda existe em meu coração.
Para certos casos, a esperança é essencial. Algo fundamental, mas sinceramente, ela está me fazendo mal agora. Queria que não existisse ou simplesmente me deixasse. Queria que não alimentasse aquilo que pretendo esquecer. Ele sempre dá forças aos pensamentos que enfraqueço. Ela os aproxima de mim e eu luto, tento mantê-los distante. É melhor assim. Vivo melhor assim.