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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Texto ao pai

E quem diria que eu sentiria saudade até de uma risada. Aquela estrondosa, aquela que preenche todo o ambiente quando ele ri. Que saudade dessa risada de um tio. Ele tremia toda a barriga pra soltar essa risada e aí a gente ria junto também. E assim ele era uma das pessoas que mais alegravam as outras. Só com essa simplicidade do riso. E aí chega minha vó. Que saudade das tardes e dos bolinhos quentinhos. Lembra de quando a gente sentava no colo dela? Quatro crianças num colo só. Ela devia morrer de cãibra, mas quase nunca reclamava. E a alegria que ela tinha de cozinhar e ver todos ali na cozinha, conversando, sorrindo, juntos. Aquela criançada correndo, uma gritaria só. Imagina isso em uma de nossas casas agora. 

E hoje todo mundo separado, cada um no seu cantinho. Tantos descaminhos, tantas preocupações. E as dores? Dessas, às vezes parece que só tem elas. Mas aí a gente tenta lembrar de outras também, não deixar que ela inunde. Até porque é muito sofrimento nessa vida, nesse Brasil. Cada história estranha, depois a gente se pergunta, mas como foi que aconteceu tudo isso. E compreender um pouco delas faz da gente um pouco maior, criar essa percepção, esse entendimento das coisas. Vontade de escrever uma história de cada um, porque todos são vários livros. 

E aí vem meu tio. Aquela barriguinha cheia de presença, gosto por conversar, um carinho que antes eu não percebia. E hoje como me arrependo de não perceber. Fui tão contra a tanto, minha rebeldia me cegou. Às vezes lutava pelo o que achava certo, na verdade, fez tudo mudar e encontrar um descaminho. Um desavanço que não consigo prever o fim. Mas quero que acabe. Agora nem sei como, e saber que fui parte dele pra acontecer. Ele também foi. Um conjunto feito por todo mundo junto. Mas eu não devia ter feito parte, a rebeldia realmente me cegou. Minha ira adolescente. Queria que tivessem me ouvido mesmo, me dado menos razão. "Isso é coisa de adolescente", aquela frase detestável, mas que já seria um pouco de solução. Ao mesmo tempo, tudo isso me faz perceber o quanto eram sensíveis, por considerar a minha palavra. Pena que não estava certa. Fazia muito sentido, eu sei. Mas não era um dos planos da vida. E é ela que sabe de todas as coisas, Ele sabe. Independente de fazer sentido ou não.

Hoje muitos sofrem nesses cantos, cada um por si, lutando contra a própria solidão. Engolir seco. Respirar fundo. Pensar que vai melhorar, no que vai melhorar. Seguir, tentar, continuar com o que está agora. Ao mesmo tempo um grande alerta. De hoje: de não aceitar o que nos incomoda, não deixar ficar. Mas perceber o quanto estamos sendo felizes. Sempre. Às vezes o incômodo é pouco, a felicidade é maior. E invertemos tudo. Tudo embaralhado. E isso me guiou, cega. 

Agora escrevo daqui porque nem conversar com você agora eu posso. Um dia isso iria acontecer? Talvez, mas provavelmente não seria desse jeito. Se não acontecesse? Com certeza teríamos outros desafios. Mas me pergunto o que seria menos dolorido. Penso só em Riobaldo, certeiro como seu tiro, "viver é muito perigoso". 


Que saudade de vocês. 
Espero que as palavras cheguem até aí.
Espero que um dia eu escreva um livro sobre algum de vocês. 
Vai chegar o dia em que vamos nos abraçar. Espero.
E esse dia de hoje é só mais um dia parte do meu aprendizado.
Que venha o clarear do pensamento.
Que venha a luz que nos faltava.
E aparte toda essa dor do parto.
[até essa ideia era tua, tio]


Esse texto hoje é pra você. Você compreenderia. Mas nunca irei te mostrar porque causaria muita dor. Já basta a que você sente. Hoje é só um dia, e vai passar. E à você só me restam palavras doces e tranquilas. O Deus e a vida hão de guiar a tudo sempre. Um dia lerei esse texto e serei mais aliviada. Quem sabe.



[tio que na verdade é pai]

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Para Ester

Há pessoas que tocam nossas almas. No momento em que os olhos se encontram, não se percebe, mas já estava guardada. Guardada pra encontrar o meu caminho, pra me tocar. E mais do que isso: me ajudar a crescer. E cresço. No momento não se entende, mas, depois, como um amigo mais velho que sabe da vida, o sentido se aproxima e se esclarece. Era para ser assim. 
- Te fiz uma surpresa. Mais uma. - a vida. 
Por mais difícil que possa ser, deixa uma chama viva: permaneça comigo. Te quero aqui. No tocar dessas almas, nascem flores. A gratidão, a sabedoria. O bem. Só se acrescentam, só desabrocham. Só, como se fosse apenas isso. E no momento desse encontro, a vida me testa. Para saber se estou pronta ao próximo encontro. Se respondo com a mesma gratidão, mesma felicidade. Se cresço verdadeiramente. Eu espero que esteja. 

A flor que levei em minhas mãos, com terra, foi pra florecer. Assim como eu flori um pouco mais e simplesmente por você ser quem é. O coração de mãe. O enxergar o bem e o acreditar no outro. Acreditar em mim, saber da minha verdade, da minha ajuda. E me ajudar. E ajudar outros. Por ter em mente o que era o certo. Tua luz encontrou a minha e quero seguir irradiando. Que sigamos.

sábado, 31 de março de 2018

Oração na Páscoa

Senhor,
ensina-me a tua humildade.
Quando penso que amo,
amo pouco.
Tu amou infinitamente mais.
Ensina-me o Teu amor.
Ensina-me a amar.
Para que minha vida se consagre
como um presente Seu.
Para que não seja em vão.
Para que eu seja Tua luz.
E possa ir em paz.

Ensina-me o meu caminho
e o valor dos dias.
Para que me venham como
o desabrochar da natureza.
Ensina-me o Teu coração
em meu coração
e a Tua verdade.

Que Teu nome esteja presente
em minha voz
em minhas palavras
em minhas escolhas.
 
Agradeço por hoje
e pela vida do Teu filho Jesus.
Pela luta e coragem.
Pela resistência.
E principalmente,
pela fé.

Que possas renascer em minha vida.
Nas nossas.
Hoje e eternamente.

Em nome do Pai,
do Filho,
do Espírito Santo,

Amém.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Expressar: ser quem sou e é mulher - Parte III

Vi(m) viv/ser

Mais uma flor para o jardim interior.
Flor de uma dor.
Flor, uma das mais florescidas, mais bonitas.
Uma flor de plena vida.
De perfume que não compõe o meu.
É o meu. 

Às mulheres,
o amor a si mesmas.
O autocuidado.
O levantar umas as outras
com tudo que foi vivido
e aprendido.
O se levantar e não permitir
que a flor em ti que iria murchar
murche em outras.
Tua experiência é aprendizagem.
É ensinamento.
Palavra para regar.
Cultivo.

Para os homens.
Não temam.
Que da tua insegurança,
possa renascer a coragem.
E não a fraqueza que ela sugere.
Sempre há escolha.
Até mesmo pelo pensamento.


A todos nós,
que possamos viver
 em paz.
Nosso caminho
foi para que o amor
prevalecesse.
E ele pertence a todos nós.
Nos habita, somos morada.
Isso nos acrescenta.
Mais vida.
Mais tempo de vida
a nós.

 


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ser-primavera

Nasceu
Fruto de outras sementes, nasceu.

Cresceu.
Cresceu colhendo os raios de sol
e o brilho da lua
(regavam-no)
enquanto plantava-os
pouco a pouco
em si.

Agora era a hora dele próprio ser:
fruto (amadurecendo-se)
semente (plantada em outras mentes)
sol, que ensinou-o a amanhecer
após cada noite, seja num céu azul ou numa tempestade
lua, como continuar luzindo mesmo na escuridão

E as estrelas assistiram:
transformou-se na própria primavera
que entre as cores das flores distribuía
a leveza do sonhar
a persistência para seguir
os caminhos traçados a nós

Mesmo que a estação passasse,
ainda haveria a lembrança
ainda há as sementes
(fruto daquela que se foi)
e primaveras ainda haverão


Ítalo.
 Não só tinha a primavera em si,
 mas também distribuía,
com pureza e alegria,
 sementes que trariam outras
 próximas primaveras.

domingo, 16 de junho de 2013

Laura-mar

L(au)ra,

 Au, de ouro. Puro mar de ouro. Teu brilho vem de dentro. Vem do sorriso, dos olhos, do coração. Vem de quem você é. Você, tua própria preciosidade. Minha preciosidade também. Pedrinha de brilhantes que eu quero ter pra sempre comigo. Cuidando do brilho, de você. 
Todo o ouro do mundo não se compara com o ouro que tu carrega, porque o primeiro é objeto, pode ser comprado ou vendido. O seu é seu, de ninguém mais. E ainda consegue transformar em ouro o que toca. Parte do brilho que carrego comigo foi você que me deu. Você me faz enxergar aquelas simplicidades que a gente esquece com o tempo, sabe? As belezas de histórias como Peter Pan e todo o significado da Terra do Nunca. A representação da Sininho, com todo aquele pó-mágico que cria asas em nós. Vendo o simples assim, pode-se chegar a Lua e apreciar as estrelas bem de pertinho. Do pouquinho-inho quase invisível, a Lua, as nuvens, o céu.
Mar, fadas pra você. Nuvens. Encontros com Peter (tu, Wendy) numa terra tão, mas tão livre que nem Gancho tem pra pendurar algo ou se pendurar. Mar, pra você, o tempo, a vida: os melhores. Pra você, esses seus olhos que enxergam (se pararem, sininhos pra você, que te despertem). Pra você, mimo de vó que dura pra sempre (com bolinho de chuva pela tarde). Pra você, morangos (muitos! todos!). Pra você, Mar, você: um mar formado de gotas de cada beleza da vida (beleza existente até em lados tristes). E, de gota em gota, terá em ti, Mar, o mar. 

Pra você, (mais morangos e:) meu feliz aniversário. 

Outros a n o s.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Pensamento 13 de 365

O ano começou mas eu ainda estava no ritmo do fim de dois mil e doze, ainda no ritmo do silêncio que não se calava: o silêncio das reflexões, dos pensamentos, das lembranças que viram filmes daqueles que você precisa parar tudo que está fazendo para assistir, como se sua vida dependesse disso (e depende). Ele não gritava, dizia tudo num sussurro que, apesar de ser baixo, não precisa crescer seu tom para ser ouvido com clareza. Assim, passei a virada sem muito comemorar. O clima ainda era de adeus. O problema era que eu me despedia como se nunca mais fosse vê-lo novamente. Esqueci-me de um detalhe: ele sempre viveria em mim, assim como todos os anos que se passaram e que, pouco a pouco, fazem de mim quem e como sou. Então, apesar de partir, poderíamos nos reencontrar sempre que quiséssemos. E o medo era justamente esse: quando eu quisesse, conseguiria encontrá-lo? Com o passar do tempo, criamos tantos labirintos em nós que alguns caminhos deixam de existir por nunca mais serem encontrados; transformam-se em tesouros de pirata enterrados onde não há mapa para que descubra seu caminho, seu lugar. Você nem percebe esse perder ou, quando percebe, é pela metade, pois aparece por meio daquele acordar sentindo algum sentimento, talvez mágoa, talvez saudade daquilo que você não sabe o que é (e, se não for você, quem mais saberá?). 
Sabe, tenho uma mania (é uma do meu mundo de manias, na verdade). Acostumei-me a caçar palavras dentro de outras palavras e fiquei com a mania de tentar descobrir o que está bem diante de nossos olhos e não é visto. Mania que me fez olhar para a palavra "palavras" agora e encontrar "lavras". ("Ah... Uma lavra toda de palavras.", imaginei. Palavra vem de lavra, será?  Investigarei esse caso mais tarde.) Isso não acontece somente com os olhos, mas também com os ouvidos. Ouço a palavra e encontro outro som semelhante para ela. Já fiz tanto isso que muitas vezes me pego ouvindo tudo retorcido, me pego escutando sentidos não falados. Parece um mundo não visto mas que espera ser percebido há todo o momento e, quando percebido, mostra-se mundo sem timidez.
No início de dois mil e doze, enquanto andava pela internet, encontrei um som diferente para doze... Doce. Uma letrinha trocada, uma palavra que resumiria o ano inteiro. Dois mil e doce doce seria (e foi). Com o fim do ano, passei um tempo temendo deixar todo o doce, temendo que ele me deixasse com a vinda desse desconhecido treze. Ainda não havia descoberto uma outra palavra para treze até que de repente... Antônio.  Lá estava ela perdida na voz de Antônio, nos desejos de fim de ano que ele fazia; lá estava ela perdida em poesia (ou seja: muito bem achada)... Encontrei e muito bem encontrado. Treze: ter-se: ter-me comigo. Não poderia haver nada melhor, plano melhor, meta melhor para esse ano. Passei muito tempo planejando esse desejo, mas só agora tenho força o suficiente para desejar. Se tivesse desejado antes, não iria realizar por ainda não ser o tempo certo. Não há como colher uma fruta quando a planta ainda é só semente. E esse ano será o ano em que plantarei essa semente que por muito tempo ficou guardada em mim. Ter-me comigo, é o que preciso. Ter-me com outros já aprendi. Aprendi antes mesmo de ter-me comigo, quem diria? Lembro-me uma vez que, numa conversa, eu disse que nasci invertida. Enquanto muitos não sabiam lidar com os outros, pensar nos outros por conseguirem pensar somente em si, eu pensava em todos como se pensasse por todos que não sabem pensar por eles. Mas não pensava em mim. Ainda era muito egoísta, sim. Muito injusta, sim. Muito egoísta e injusta... comigo. Sempre comigo, até que Antônio me ajudou a descobrir as pétalas da rosa quando eu só enxergava seus espinhos e, no vazio, encontrei seus olhos me dizendo aquilo que eu já deveria ter me dito há muito tempo: "você é o seu maior bem". 
Treze... Ter-se. Dois mil e ter-se. Sorrio bonito com essa descoberta e te agradeço, Antônio. Fez os fogos de Copacabana surgirem no rio de mim. Agora, sim, feliz dois mil e ter-se. Feliz, que seja muito feliz, que seja de ter-se.

[E, com vocês, Antônio:]

"Que o seu 2013 possa ser lido como dois mil e ter-se. Isso mesmo! Tenha-se; cuide-se; pertença-se; seja-se: você é seu maior bem. Eu sempre encaro o fim com a esperança de quem encara um recomeço. Tudo o que acaba preserva aquela beleza necessária do repensar. "Repensar" é a palavra que eu desejo a todos vocês, todos os dias. Os amantes quando terminam precisam repensar. Os empregos quando terminam precisam ser repensados. O dia quando termina também precisa ser repensado: esse fenômeno é humanamente conhecido como sonhar. Muito obrigado por terem feito meu 2012 um ano para repensar!"

Eu me chamo Antônio





[Coincidência boa: esse é o Pensamento 13 de 365 de 2013. 13 de 2013.
Dedico esse texto a mim, a você e a mais duas pessoas queridas
 que desejo muito ter-se:  Patrícia e Tairini.]

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O céu embrulhado pelo presente

Dezembro chegou e trouxe de presente - antes do Natal - as férias de Pedrinho, que se presenteou com tardes embrulhadas às vésperas do pôr-do-sol entre laços de pássaros e pipas. Sua pipa preferida era a azul "Para combinar com o céu.", pensava. O seu tempo de pipa era precioso e eterno, por menos que durasse até mesmo quando mais queria que durasse. Era sempre eterno. A eternidade vinha vestida do pingo de chuva que ele implorava para não cair entre outros tantos pensamentos, como aqueles repletos de perguntas. Era um acordo, o céu não choraria se Pedrinho chovesse interrogações. E chovia. Era interrogação descendo de cabeça pra baixo, valsando, sorrindo, voando. Era interrogação pra tudo qualquer lado, na nuvem, do peito ao pé. Um dia, reparando sua pipa, começou "Como ela consegue? Como ela consegue ficar, assim, tão pertinho das nuvens? Por que ela não cai? E o que será que segura ela lá em cima? Por que ela não bate numa nuvem e despenca? E se aparecesse uma com formato de dragão e a engolisse?" Arrepiou-se todinho só de imaginar tal crueldade. Olhou em volta procurando urgentemente por algum dragão que estivesse por perto mas, não, não havia dragão. Ufa. Reparando de longe as quatro pontas que sua pipa tinha, outra interrogação nasceu.  "Por que ela precisa ter um formato certo? E se fosse em forma de estrela com cinco pontas? E se fosse igual a um passarinho? Árvore? Coração? Riu. Talvez, assim, Luíza comece a gostar de soltar pipa comigo. Ah... Nós dois aqui seria tão bonito, ah..."
Acordou de seu sonho momentâneo, uma outra pipa estava bem próxima da sua. "Como chegou tão...?" Ante que concluísse o pensamento, a pipa intrusa no céu havia cortado a sua e agora era tarde. Perdeu a pipa. Perdeu o sonho com a Luíza. Perdeu as interrogações - do momento -, que se transformaram em ponto final - continuativo. Observou sua pipa partir pelo azul enquanto a rabiola dizia adeus. Foi-se embora para o seu dono novo. "Quem seria? Será um dragão? Ah... Será que vou te ver novamente, pipa?" Sentou-se para assistir a cena que logo, logo acabaria e aproveitou para esperar e se despedir de mais um outro alguém que também se preparava para partir: a tarde. Assim, assistiu a noite mergulhar no dia. 
Outras pipas viriam aparecer no céu de Pedrinho. Quanto às interrogações, estas não mais apareceriam porque nunca desapareceram/rão. Elas moravam na sua alma. [Pedrinho seria filósofo, mas ainda não sabia, talvez descobrisse num próximo Natal, como um presente da vida.]

[Presente de Natal ao querido Delvair,
deixou que interrogações criassem raízes em si.
(E ainda distribui mudas por aí.)
Alma grandiosíssima a sua, Del.]

sábado, 22 de dezembro de 2012

Os nós de nós

Sempre tive vontade de montar um blog com um grupo de pessoas. Tentei uma vez e pouco consegui, a ideia continuou sendo ideia e só. Mas, nesse ano, me encontrei dentro de muita gente. Gente que me  faz bem. Gente que me quer bem. Gente que sorri ao me ver sorrindo. Gente que me abraça forte como se o abraço de hoje fosse o último que eu pudesse receber, que a pessoa pudesse me dar. Gente bonita no olhar - cheio de vida -, gente bonita de coração, gente que traz beleza em tudo e qualquer canto de si - mesmo quando canta de palhaçada e desafina por querer. Dentro dessa gente, plantei um sonho: o de escrever, o de conhecer as palavras, de fazer amizade com elas, de brincar com elas - caçando uma dentro de outra, trocando uma letrinha aqui e ali, rimando acolá. Nem mesmo sabíamos o quanto havia dessa árvore em nós, ficamos surpresos - quase assustados até - por vê-la crescer, crescer e crescer tão forte e rapidamente. E percebi, "Precisa criar raiz, arvorezinha." Não poderia crescer com tudo que pode agora para desabar daqui a um ano. Precisa criar raiz. E essa raiz se chama nó. É toda feita de nós embolados, não desamarrados. É toda feita de nós, assim, desatado nos nós da gente. O sol é a nossa ligação,  a luz é as ideias e a água, um espaço para o pensamento, para o sonho, para dizer o segredo, o que não sai de nossos lábios mas que vive, respira dentro de nós. É o espaço nosso, o espaço que temos para sermos livres e só. 
[Se, um dia, você pensou em fazer um blog em grupo, eu digo, faça. É bom demais. Antes, saiba apenas lidar com as diferenças. Por ser diversas pessoas, haverá diferenças em cada vírgula. Faça duetos, escreva poesia em trio, prosa em quarteto. É bonito ver um pensamento se ligando com o outro. É bonito de ver um nó se tornando laço. É bonito, e eu não vou esquecer.]



sábado, 16 de junho de 2012

Laura, sua luz e morangos

A cura da dor, o endereço da felicidade, o brilho no olhar, a pulsação forte e rítmica. O coração ganha voz, grita para o corpo, para os olhos, para a alma, que flutua, que se alegra, que dança, que sorri, por inteiro, sem que algum cantinho fique de cara emburrada, de mau-humor. Todos sorriem. Tudo sorri. Você sorri, eu sorrio, o mundo sorri.
A distância que se fantasia de é logo alí. A amizade que anda de mãos dadas com o amor. E o amor que traz outros convidados à festa: o se sentir bem, o cuidado, o carinho, a confiança, as nuvens e as cores, o jardim florido e perfumado de você.
Ter-te comigo é encontrar o que há de melhor em mim, é me renovar, me amanhecer, me clarear. Ter-te contigo é ficar bem, é viver num mundo onde as preocupações giram somente em volta de você, é me encontrar com sentimentos verdadeiros e puros que elevam a alma e o ser, que fazem com que todos os outros dias que virão sejam melhores. Encontrar-te é estar sempre a favor de tudo, é ficar de bom-humor, é sorrir o tempo inteiro, é viver mais e melhor, é viver sorrindo e não sorrir para viver.
Peço para que nunca apague de sua memória quem você realmente é e o quanto você faz e traz o bem não só para mim, mas para todos que te amam. Em ti, há uma luz que irradia sobre todos que te enxergam - e é difícil não enxergá-la, é difícil não te enxergar. Eu só espero que a enxergue, que saiba que ela estará e está sempre presente em você, como vocês se pertencessem umas as outras. Esta tua luz irradia não só a luz, em si, mas carinho, paz, felicidade e amor. Olha só quanta coisa boa, olha só como é este poder que você - e só  você - possui.
Te amo e simplesmente sou incapaz de me imaginar sem este sentimento que tenho por você, mesmo que, um dia, tenhamos sido separadas pelo tempo ou por algum imprevisto. Mesmo assim, desejo que, assim como este sentimento, você esteja sempre comigo. Sempre, sempre e sempre.
Que tudo que você transmite para nós seja retribuído a você, que tudo que você tenha de bom seja visto por você - nunca esquecido -. Desejo-te muitos sorrisos, muitos sentimentos puros, muitos voos da alma, muitas oportunidades maravilhosas, um futuro esplêndido, saúde, muitos bons momentos, muitos abraços, muito, muito, mas muito amor, muita esperança, muitos sonhos, muita riqueza interior, muita sabedoria, muita paz, muita alegria, muita autoconfiança, muitas pessoas que te queiram tão bem quanto eu te quero e um pedaço de bolo de morango para o dia de hoje, e que ele seja o melhor que você já comeu. 

sábado, 5 de maio de 2012

Laura



Laura minha
minha Laura
doce como o
doce mais doce
do mundo

Laura doce
como jabuticaba
que não vira jabuti
nem acaba

Laura dos sorrisos
que crescem
que nascem
em mim,
da felicidade,
que parte 
do meu peito;
parte sem partir,
pois ficará sempre aqui

Laura, te terei
eternamente
na mente
no sorriso
no peito e
na alma

Laura, te quero bem
te bem quero
te quero-quero.

Laura de ouro,
de pluma,
de mel

Laura da beleza
do sorriso,
da doçura,
da felicidade
na feliz idade,
da brandura.

Laura dos sonhos,
da força,
da luz,
do brilho,
do amor.

Laura, minha Laura
este poeminha
é teu, meu amor

quinta-feira, 8 de março de 2012

Elas

Do olhar que,
sem palavras, falava,
sem sorrir, sorria;

A delicadeza,
a sabedoria,
a coragem,
a admiração e
a força

A procura da felicidade
A procura do amor
A luta pelos direitos
da rosa vermelha
da rosa rosa, amarela,
uma infinidade de cores
assim como elas

Se para chegar onde chegamos
lutamos
suamos
e aprendemos
a sorrir,
a viver,
a ser quem somos.

A mãe,
a filha,
a vó,
a madrinha,
a tia,
a prima,
a trabalhadora,
a professora,
a juíza,
a artista,
a amiga,
a Lua,
a mulher.

[Não temos um dia dedicado apenas a nós porque gostamos de receber parabéns.]