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segunda-feira, 30 de março de 2020

O sorriso dela

Me encontrei só. E tão dolorida. Uma coisa estranha. Não estava doente. Mas era uma dor que parecia o início de uma. Mas ainda não era nada. E nesse estranhamento, nessa tristeza, ela me veio. Com um sorriso simples que eu nem acreditava. Nem prestava atenção no sorriso, ideia afastada de mim. Mas ela sim. E me veio assim. Delicada. E tão simples como é. Usando a voz de uma palavra terna e calma. Me disse algumas palavras que ressoaram tudo por dentro. Remexeram algo. Uma peça que faltava? Um pensamento que não vinha. Estava distante. E apareceu. Um pequeno clarão. E que retira todas as águas dos meus olhos. Pelo menos por enquanto. Por enquanto, parecem que não vão mais voltar. E com ela, me veio, me chamou, tão sincera. Tão antiga. Palavras tão antigas. De gente que eu não conheço. Que não me conhece. De gente que já se foi. Mas me atinge. Até agora. A palavra fica. E encontra outros. E melhor: traz mais vida. 

Obrigada, minha linda, pequena, singela, pura, 

Poesia. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Es cre ver

Não é só desabafar. Sentir uma dor no peito e então, tá lá, um texto, as palavras. Não, não é... não é sentir-se resolvido apenas assim.  Escrever é... um tanto mais. Falar simplesmente o que sinto é pouco. Não é sobre mim. Não é sobre essa multidão de sentimentos que em mim existem, mas é sobre aquele sentimento que existe em muitos. Aquele sentimento que existe em toda essa multidão. E existe na vida. A palavra pura: vida. Ele faz com que ela se chame, seja como é. Encontrá-lo assim, numa face clara, me vem essa agitação de escrever. (Silenciosa, ainda.) Me encontrar (e encontrar os outros) nos outros. Encontrá-los em mim numa junção que quando percebida, sim, faz um enorme sentido. E assim sentir saltando de mim algo que já estava comigo, mesmo que eu não soubesse.  Mas aquele momento. Aquela pequena percepção. Aquele pequeno pequenino despertar descobriu a escrita lá. E ainda me comove num enorme sentido de viver. (Sempre com ela, as palavras. As verdadeiras. Sempre com ele, o escrever. O às vezes que se torna sempre: perceber o raro desapercebido (que comece mais pelo per), mas tão presente.)

Queria eu que todos fossem escritores. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O nosso

o luar surpreende os olhos
e surpreende a si
por sempre se renovar
e sempre ser o mesmo luar
                                                                 [Eis, talvez, um tanto da eternidade
 que há em tudo que é sentido 
e sincero.]

sábado, 7 de setembro de 2013

Teu poema interior

Palavras soltas que interligadas, um poema. O teu poema interior. Quando começava, deixava que falasse. Que falasse mesmo que eu não entendesse naquele momento. Aquelas palavras seriam tanto para o futuro quanto ao passado o elo com o presente. Assim, declamava seu poema interior.
Repleto de reticências, formava os versos. Os versos, repletos de pontos incompletos, formava as estrofes. As estrofes, repletas de si, os poemas. Os poemas, o mar. O mar que as palavras navegavam bravamente. Bravamente, descobriam. Descobriam as tempestades, sorriam diante das lágrimas do céu que molhavam o corpo ao perceber o encontro das gotas de cima com as gotas do plano esférico. O encontro da nuvem que nada e da grande nuvem que voa. Era essa a procura. E o encontro era infinito porque refletia o infinito da finitude:
                                                                                                                       
                                                                                                                    o ciclo 
                                                                                                                                     da água
                                                                                                                                                     e de si.

Descobriam as nuvens. As nuvens descobriam seus reflexos na água. As nuvens, a água te faziam descobrir as palavras. As palavras faziam com que se descobrisse.
Teu poema, ainda não avistaram o verso final, mas sabem que está além do rascunho - é a junção de rascunhos, de rabiscos, de letras ainda sem formas e tortas com aquelas já bem definidas e desenhadas. Escreve-o com os dias. Toma os pensamentos como lápis. Toma o mundo como papel. Escreve-o com o interior e aprende a exteriorizá-lo. Escreva-o e espero que por mais um bocado de tempo. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

À noite, o sol também sonha

Dó de mim
se lá
o sol
da ré.

Mas farei-me
sol lá
dentro de quem
houver alguém
Sim,
sem dó
com sol, sim
lá, sem recuar
de mim
[A peça ideal para o título seria - a 
inspiração - "Lá se dorme um sol em mi menor", 
verso da música Pena, do Teatro Mágico.]

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Pensamento 13 de 365

O ano começou mas eu ainda estava no ritmo do fim de dois mil e doze, ainda no ritmo do silêncio que não se calava: o silêncio das reflexões, dos pensamentos, das lembranças que viram filmes daqueles que você precisa parar tudo que está fazendo para assistir, como se sua vida dependesse disso (e depende). Ele não gritava, dizia tudo num sussurro que, apesar de ser baixo, não precisa crescer seu tom para ser ouvido com clareza. Assim, passei a virada sem muito comemorar. O clima ainda era de adeus. O problema era que eu me despedia como se nunca mais fosse vê-lo novamente. Esqueci-me de um detalhe: ele sempre viveria em mim, assim como todos os anos que se passaram e que, pouco a pouco, fazem de mim quem e como sou. Então, apesar de partir, poderíamos nos reencontrar sempre que quiséssemos. E o medo era justamente esse: quando eu quisesse, conseguiria encontrá-lo? Com o passar do tempo, criamos tantos labirintos em nós que alguns caminhos deixam de existir por nunca mais serem encontrados; transformam-se em tesouros de pirata enterrados onde não há mapa para que descubra seu caminho, seu lugar. Você nem percebe esse perder ou, quando percebe, é pela metade, pois aparece por meio daquele acordar sentindo algum sentimento, talvez mágoa, talvez saudade daquilo que você não sabe o que é (e, se não for você, quem mais saberá?). 
Sabe, tenho uma mania (é uma do meu mundo de manias, na verdade). Acostumei-me a caçar palavras dentro de outras palavras e fiquei com a mania de tentar descobrir o que está bem diante de nossos olhos e não é visto. Mania que me fez olhar para a palavra "palavras" agora e encontrar "lavras". ("Ah... Uma lavra toda de palavras.", imaginei. Palavra vem de lavra, será?  Investigarei esse caso mais tarde.) Isso não acontece somente com os olhos, mas também com os ouvidos. Ouço a palavra e encontro outro som semelhante para ela. Já fiz tanto isso que muitas vezes me pego ouvindo tudo retorcido, me pego escutando sentidos não falados. Parece um mundo não visto mas que espera ser percebido há todo o momento e, quando percebido, mostra-se mundo sem timidez.
No início de dois mil e doze, enquanto andava pela internet, encontrei um som diferente para doze... Doce. Uma letrinha trocada, uma palavra que resumiria o ano inteiro. Dois mil e doce doce seria (e foi). Com o fim do ano, passei um tempo temendo deixar todo o doce, temendo que ele me deixasse com a vinda desse desconhecido treze. Ainda não havia descoberto uma outra palavra para treze até que de repente... Antônio.  Lá estava ela perdida na voz de Antônio, nos desejos de fim de ano que ele fazia; lá estava ela perdida em poesia (ou seja: muito bem achada)... Encontrei e muito bem encontrado. Treze: ter-se: ter-me comigo. Não poderia haver nada melhor, plano melhor, meta melhor para esse ano. Passei muito tempo planejando esse desejo, mas só agora tenho força o suficiente para desejar. Se tivesse desejado antes, não iria realizar por ainda não ser o tempo certo. Não há como colher uma fruta quando a planta ainda é só semente. E esse ano será o ano em que plantarei essa semente que por muito tempo ficou guardada em mim. Ter-me comigo, é o que preciso. Ter-me com outros já aprendi. Aprendi antes mesmo de ter-me comigo, quem diria? Lembro-me uma vez que, numa conversa, eu disse que nasci invertida. Enquanto muitos não sabiam lidar com os outros, pensar nos outros por conseguirem pensar somente em si, eu pensava em todos como se pensasse por todos que não sabem pensar por eles. Mas não pensava em mim. Ainda era muito egoísta, sim. Muito injusta, sim. Muito egoísta e injusta... comigo. Sempre comigo, até que Antônio me ajudou a descobrir as pétalas da rosa quando eu só enxergava seus espinhos e, no vazio, encontrei seus olhos me dizendo aquilo que eu já deveria ter me dito há muito tempo: "você é o seu maior bem". 
Treze... Ter-se. Dois mil e ter-se. Sorrio bonito com essa descoberta e te agradeço, Antônio. Fez os fogos de Copacabana surgirem no rio de mim. Agora, sim, feliz dois mil e ter-se. Feliz, que seja muito feliz, que seja de ter-se.

[E, com vocês, Antônio:]

"Que o seu 2013 possa ser lido como dois mil e ter-se. Isso mesmo! Tenha-se; cuide-se; pertença-se; seja-se: você é seu maior bem. Eu sempre encaro o fim com a esperança de quem encara um recomeço. Tudo o que acaba preserva aquela beleza necessária do repensar. "Repensar" é a palavra que eu desejo a todos vocês, todos os dias. Os amantes quando terminam precisam repensar. Os empregos quando terminam precisam ser repensados. O dia quando termina também precisa ser repensado: esse fenômeno é humanamente conhecido como sonhar. Muito obrigado por terem feito meu 2012 um ano para repensar!"

Eu me chamo Antônio





[Coincidência boa: esse é o Pensamento 13 de 365 de 2013. 13 de 2013.
Dedico esse texto a mim, a você e a mais duas pessoas queridas
 que desejo muito ter-se:  Patrícia e Tairini.]

sábado, 5 de maio de 2012

Laura



Laura minha
minha Laura
doce como o
doce mais doce
do mundo

Laura doce
como jabuticaba
que não vira jabuti
nem acaba

Laura dos sorrisos
que crescem
que nascem
em mim,
da felicidade,
que parte 
do meu peito;
parte sem partir,
pois ficará sempre aqui

Laura, te terei
eternamente
na mente
no sorriso
no peito e
na alma

Laura, te quero bem
te bem quero
te quero-quero.

Laura de ouro,
de pluma,
de mel

Laura da beleza
do sorriso,
da doçura,
da felicidade
na feliz idade,
da brandura.

Laura dos sonhos,
da força,
da luz,
do brilho,
do amor.

Laura, minha Laura
este poeminha
é teu, meu amor

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A curiosidade matou a curiosidade

A curiosidade, dominou-me, admito. Senti a necessidade de virar aquelas páginas como se a minha vida dependesse por completo desta ação. Fui virando-as rapidamente e lendo frases soltas em cada página mais rápido ainda. Naquele momento, meus olhos tinham sede pela leitura. Era impossível segurá-los, parecia que tinham ganhado vida própria.
Achei, achei! Lá estava o que queria! E neste exato momento percebi o quanto havia arruinado o meu próprio momento e o meu futuro. Não deveria ter lido, não deveria! Por que fui dar ouvidos para curiosidade? Por que deixei que ela me dominasse? 
Larguei os meus olhos daquelas páginas, daquelas palavras e agora eles estavam totalmente ao meu controle, mas quem havia saído de si era o coração. O que ele sentia no meio daquele mundo de sentimentos?
Fechei meus olhos o mais forte possível e desejei que tudo aquilo fosse um sonho.
Mas era real.
Às vezes, desejamos que um sonho seja realidade mas há vezes onde desejamos que a realidade seja um sonho.

domingo, 27 de novembro de 2011

O encontro, parte dois.

Ele olhava para todos os lados, todos os cantos, corria pelo lugar, os olhos incansavelmente procuravam guardar todas aquelas imagens na mente. Ele estava encantado, curioso e havia se perdido de si com a beleza que nunca havia imaginado encontrar algum dia. Tudo isso lembrou-me ela. O passado repetiu-se em mim mais uma vez, detalhadamente, todas as palavras, todas as expressões, os tons que ela usara ao cantar, a voz angelical, tudo estava em mim e não deixaria que se perdesse nunca. Acordei dos meus sonhos que fizeram fugir completamente da minha realidade ao ouvi-lo dizer, com sua própria voz, que gostava do meu mundo. Sorri de escárnio. Devia estar brincando. Porém, não estava. Era inocente. Não sabia o que ele significava para mim e para o meu mundo. Não sabia que o meu mundo deixou de ser belo como era antes a partir do momento em que ela me deixou. E com o nascimento dele... ficou... horrendo. Mas sobrevivia, fui salvo pelo amor.
Fiquei a me perguntar se aquela criatura havia escutado sobre mim alguma vez, alguma história, alguma memória sendo contada pela sua mãe ou se, simplesmente, esta última havia feito questão de deixar todas essas lembranças longe da pobre criança.
Como pôde fazer isto comigo? Aquele jovem, ah, aquele jovem, se aproveitou da beleza aparente que o pertencia e da sua fraqueza, fingiu te amar e acabou te amando. E eu, sem fingimentos, com toda a sinceridade de minha alma, te amei, te amo e morrerei te amando.
Como eu desejava que esse menino fosse meu, fosse nosso. Poderia até mesmo imaginar os meus traços nele juntando-se com os seus.

Gustave: It soars so beautiful
Phantom: Can it be?
Gustave: Almost too beautiful.
Phantom and Gustave: Do you see what I see?
Gustave: Heavenly.
Phantom: To him it's beautiful
My world is beautiful
Gustave: How can this be what it seems?
(The Beauty Underneath)

Baseado em: Love Never Dies.

domingo, 24 de julho de 2011

Em busca da inspiração, quarta (e última) parte

                               
Confusa e angustiada, chegou a janela e passou a observar o céu azul, os pássaros e as pessoas que passavam pela sua rua. Avistou um casal de idosos, de mãos dadas. Olhavam um ao outro, estava claro que ainda se amavam. "Isso é raro de se ver nos dias de hoje.", pensou consigo e sorriu. E começou a sentir algo estranho no seu coração, era, ainda, a inquietação que aumentou rapidamente. Pegou o papel e começou a montar sua história baseada naquela cena que acabara de avistar, estava ficando uma maravilha e, pela primeira vez, assistiu indícios do sentimento de realização caminhando até ela.
Relatou sua infância, sua adolescência, a fase adulta e a velhice, que talvez fosse vivenciar, de maneira fantasiada, com momentos que ela nunca viveu mas que gostaria muito de vivê-los. Relatou tudo que gostaria que tivesse acontecido na sua vida, mas que não aconteceu. Sua escrita saiu embaralhada como se fossem palavras cuspidas, pois ela não estava querendo escrever toda a história alí e agora, era apenas um rascunho, um modelo que seria seguido na escrita do seu livro que teria como tema principal, não o amor, mas seus sonhos que nunca foram realizados, suas aventuras que nunca foram vivenciadas.
Trabalhou o dia e a noite que se seguiu sem se sentir cansada, pelo contrário, seu coração passava por um turbilhão de sentimentos, estava a mil. Ela havia se desligado de tudo a sua volta, principalmente do tempo, escrevia rapidamente e pensava mais rápido ainda. Não seria possível parar de escrever tão cedo sem, ao menos, finaliza-lo, levando em conta em como ela se encontrava naquele momento de quase realização e satisfação quanto o que escrevia.
Quando viu seu texto completo, ao amanhacer do dia seguinte, releu-o lentamente e atentamente, sem pressa de chegar ao seu final. Avistou sua parte preferida, onde enxergava o auge da sua inspiração, sorriu.
Com a leitura, seus batimentos cardíacos foram se acalmando e, devagar, apaziguaram-se por completo. Junto com o coração, sua mente se acalmou e ela começou a retornar a si. Sentiu soltar o papel que segurava em suas mãos sobre a mesa, sua cabeça tombando sobre dele, fechou os olhos devagar como se estivesse caminhando para uma boa noite de sono.
Assim, sorrindo de leve, com o coração em paz, a alma inspirada, o sonho a um passo de ser realizado, expirou. Naquele papel onde seu resto opoiavasse, havia vida, as palavras eram vivas. Ela deixou ao mundo a sua maior obra que, mesmo rascunhada, poderia ser chamada dessa maneira; a sua maior ideia conseguiu libertar-se.

Quero agradecer a Karol por aconpanhado essa história e me dado força para terminá-la através dos lindos comentários que ela escrevia sobre meu pequeno conto, obrigada.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Em busca da inspiração, terceira parte.

Com o passar das décadas, a menina desistiu das frequentes tentativas de libertar a sua inspiração e foi vivendo vazia. Sim, um  vazio que a atingiu ainda cedo e, com o tempo, expandia-se cada vez mais. Esse vazio não era intelectual, era sentimental, uma frieza sem tamanho para o amor, a únião e as tragédias que corriam pelo mundo, como se nada que acontecia fosse real. Seu coração não se aquecia mais e aquele sol que ela dizia ver nascer em algumas noites não mais aparecia.
Seguiu uma carreira em Direito, passou num concurso público e viu-se realizada financeiramente. "Para que serve o meu dinheiro", pensou consigo, "se o que mais quero, o que mais busco, não há como comprar?" Naquele momento, passou a relembrar daquela inspiração perdida em seu peito. Pensou que ela não existisse mais só que, de repente, sentiu algo inquieto dentro de si que gritava silenciosamente. Pegou um lápis e um papel num pulo. Escreveu um, dois, três textos mas todos eles não tinham valor sentimental para ela e não, ainda, eram bons o suficiente. Olhou para os textos e para os rascunhos caídos no chão e, de repente, seus olhos começaram a arder e lágrimas invadiram-no num segundo. Chorou por nunca ter conseguido pensar numa ideia que a agradasse por completo, caiu num pequeno desespero. Como costumava acontecer antigamente, voltou a ter aqueles sentimentos dos quais pertenciam-na quando era pequena. Não sabia mais o que fazer, mas determinou-se em não desistir do seu maior sonho: escrever um livro.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Em busca da inspiração, segunda parte.

Essa menina, parecia ser perfeita e diferente a alguns olhos mas, como dizem por aí, ninguém é perfeito. A maior imperfeição dela era a constante batalha de ideias que havia dentro de si. Não conseguia compor uma música se quer, mesmo amando cantar; não conseguia escrever um livro, mesmo tendo um amor imenso pela escrita; não conseguia escrever um pequeno poema, mesmo estando sempre a par dos melhores poetas de seu país, dos seus melhores trabalhos; mesmo amando ler poemas e pensar sobre seus temas de maneira que levassem-na para muito longe do lugar onde estava. Contudo, ela não conseguia compor ou escrever.
Havia muito inspiração no coração daquela menina, uma inspiração que ficava à flor da sua pele, se debatia, gritava, mas não conseguia se libertar. A menina podia parar, pensar bastante durante horas, e a inspiração continuava dentro dela, sem encontrar uma porta de saída, uma válvula de escape. O choro vinha aos olhos dela, sentia angústia, passava a ter um gosto amargo na boca. Mas, quando momentos como esses chegavam até ela, o que acontecia com frequência, procurava ouvir alguma música que abraçasse-a, confortasse-a com a sua melodia e palavras. Seu gosto musical era a sua alma e, na escolha da música certa, a calma, a quietude enrroscava-a nos seus braços, tirando a acidez de sua boca e a amargura do seu coração temporariamente.


Nota: não esqueci de responder a pergunta que finaliza a primeira parte deste texto. Ela será respondida implicitamente na quarta (e última) parte deste texto.