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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Tribulação, retribu(l)ição

Acontece que eu queria cuidar de você. Não que você precisasse. Não que fosse tutela. Mas de coração pra coração. Coração que entende o outro e acolhe, com coração. Com a quentura. Com o aconchego. Com o lar. Sereno e sincero. Te pegar pelas mãos, como no primeiro sonho, em que voávamos no vento sorrindo. E te trazer pra perto do meu. Calor com calor. Peito a peito. Conflito por conflito e soluções. Te encontrar o ainda menino. Sem o medo. Sem a vergonha. E principalmente sem a culpa. Te encontrar comigo. Te sentir contigo. Te descobrir entre tuas próprias descobertas - e as minhas. Dois aventureiros. Dois marinheiros. Desbravando. Não esquecendo que no céu quando não há a luz do Sol, há sempre as estrelas. Os astros. Estrela-guia interior e superior. Dentro e além. Viva.
Deixa eu cuidar de você, menino. Deixa eu ir até aí. Deixa que eu vá, não só você venha. Deixa a gente secar essas águas salgadas juntos, deixar ela se encaminhar pro mar. Retirar as pedras entre o curso de nossas águas. Nem que seja por algumas trombas d'água. Necessárias. Que se retirem, que se desfaçam. Nem que tenham vindo antes de nós. Reacordar a leveza pela força. A força pela leveza. Guiar este barco, este que navega até mesmo quando não sentimos. Que sintamos.
Que sej-amo-s.
Que viv-amo-s.
E isto seria apenas um agradecer. 
Eterno. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O bem raro

Aquele bem que parece que mais ninguém enxerga. Uma preciosidade que não pertence a mim, muito menos está em minhas mãos, mas cuido carinho. A beleza vem e só de enxergá-la, só de saber que ela existe da maneira como é. Com as palavras que diz. Com o sentimento que sente. Com a vida que vive. A vida de todos os dias. Que nos vem repleta de momentos diferentes, desafios que são capazes de mostrar ainda mais quem somos, ainda mais a beleza. Que quando se declara, não há mais palavras, ela é. Como é. Um ser no infinitivo. A promessa do infinito que não é a vida que prova, mas que prova a vida a cada dia.
Eu não sei quem mais enxerga. Mas sei que, enxergando, outras tantas belezas podem se despertar. Seja em mim, seja no outro, que também vai passar a enxergar, seja naquela mesma beleza que fez surgir outras. Cada um a sua maneira, com a sua raridade. Que o sincero e simplicidade resplandeça, renasça, permaneça. Ainda que não enxergue visivelmente, que permaneça. Por ser precioso, será essencial. Uma voz. Um canto. Um olhar... Um brilho. Um ano inteiro. Um início. Erros, sim. E um eu acredito.

Que a sutileza
nos acompanhe
construindo
quem somos.




sábado, 24 de maio de 2014

Do dia a dia

Palavras que você lerá um dia

Se digo que vou, não é por desinteresse. Mas saber que posso dizer que vou por ter comigo a certeza da minha volta. E, assim, mesmo na minha ida, a presença da permanência.

A cada pequeno adeus de cada dia. A cada acordar do outro dia. A cada reencontro. Ao vivê-lo juntos.