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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Pensamento 13 de 365

O ano começou mas eu ainda estava no ritmo do fim de dois mil e doze, ainda no ritmo do silêncio que não se calava: o silêncio das reflexões, dos pensamentos, das lembranças que viram filmes daqueles que você precisa parar tudo que está fazendo para assistir, como se sua vida dependesse disso (e depende). Ele não gritava, dizia tudo num sussurro que, apesar de ser baixo, não precisa crescer seu tom para ser ouvido com clareza. Assim, passei a virada sem muito comemorar. O clima ainda era de adeus. O problema era que eu me despedia como se nunca mais fosse vê-lo novamente. Esqueci-me de um detalhe: ele sempre viveria em mim, assim como todos os anos que se passaram e que, pouco a pouco, fazem de mim quem e como sou. Então, apesar de partir, poderíamos nos reencontrar sempre que quiséssemos. E o medo era justamente esse: quando eu quisesse, conseguiria encontrá-lo? Com o passar do tempo, criamos tantos labirintos em nós que alguns caminhos deixam de existir por nunca mais serem encontrados; transformam-se em tesouros de pirata enterrados onde não há mapa para que descubra seu caminho, seu lugar. Você nem percebe esse perder ou, quando percebe, é pela metade, pois aparece por meio daquele acordar sentindo algum sentimento, talvez mágoa, talvez saudade daquilo que você não sabe o que é (e, se não for você, quem mais saberá?). 
Sabe, tenho uma mania (é uma do meu mundo de manias, na verdade). Acostumei-me a caçar palavras dentro de outras palavras e fiquei com a mania de tentar descobrir o que está bem diante de nossos olhos e não é visto. Mania que me fez olhar para a palavra "palavras" agora e encontrar "lavras". ("Ah... Uma lavra toda de palavras.", imaginei. Palavra vem de lavra, será?  Investigarei esse caso mais tarde.) Isso não acontece somente com os olhos, mas também com os ouvidos. Ouço a palavra e encontro outro som semelhante para ela. Já fiz tanto isso que muitas vezes me pego ouvindo tudo retorcido, me pego escutando sentidos não falados. Parece um mundo não visto mas que espera ser percebido há todo o momento e, quando percebido, mostra-se mundo sem timidez.
No início de dois mil e doze, enquanto andava pela internet, encontrei um som diferente para doze... Doce. Uma letrinha trocada, uma palavra que resumiria o ano inteiro. Dois mil e doce doce seria (e foi). Com o fim do ano, passei um tempo temendo deixar todo o doce, temendo que ele me deixasse com a vinda desse desconhecido treze. Ainda não havia descoberto uma outra palavra para treze até que de repente... Antônio.  Lá estava ela perdida na voz de Antônio, nos desejos de fim de ano que ele fazia; lá estava ela perdida em poesia (ou seja: muito bem achada)... Encontrei e muito bem encontrado. Treze: ter-se: ter-me comigo. Não poderia haver nada melhor, plano melhor, meta melhor para esse ano. Passei muito tempo planejando esse desejo, mas só agora tenho força o suficiente para desejar. Se tivesse desejado antes, não iria realizar por ainda não ser o tempo certo. Não há como colher uma fruta quando a planta ainda é só semente. E esse ano será o ano em que plantarei essa semente que por muito tempo ficou guardada em mim. Ter-me comigo, é o que preciso. Ter-me com outros já aprendi. Aprendi antes mesmo de ter-me comigo, quem diria? Lembro-me uma vez que, numa conversa, eu disse que nasci invertida. Enquanto muitos não sabiam lidar com os outros, pensar nos outros por conseguirem pensar somente em si, eu pensava em todos como se pensasse por todos que não sabem pensar por eles. Mas não pensava em mim. Ainda era muito egoísta, sim. Muito injusta, sim. Muito egoísta e injusta... comigo. Sempre comigo, até que Antônio me ajudou a descobrir as pétalas da rosa quando eu só enxergava seus espinhos e, no vazio, encontrei seus olhos me dizendo aquilo que eu já deveria ter me dito há muito tempo: "você é o seu maior bem". 
Treze... Ter-se. Dois mil e ter-se. Sorrio bonito com essa descoberta e te agradeço, Antônio. Fez os fogos de Copacabana surgirem no rio de mim. Agora, sim, feliz dois mil e ter-se. Feliz, que seja muito feliz, que seja de ter-se.

[E, com vocês, Antônio:]

"Que o seu 2013 possa ser lido como dois mil e ter-se. Isso mesmo! Tenha-se; cuide-se; pertença-se; seja-se: você é seu maior bem. Eu sempre encaro o fim com a esperança de quem encara um recomeço. Tudo o que acaba preserva aquela beleza necessária do repensar. "Repensar" é a palavra que eu desejo a todos vocês, todos os dias. Os amantes quando terminam precisam repensar. Os empregos quando terminam precisam ser repensados. O dia quando termina também precisa ser repensado: esse fenômeno é humanamente conhecido como sonhar. Muito obrigado por terem feito meu 2012 um ano para repensar!"

Eu me chamo Antônio





[Coincidência boa: esse é o Pensamento 13 de 365 de 2013. 13 de 2013.
Dedico esse texto a mim, a você e a mais duas pessoas queridas
 que desejo muito ter-se:  Patrícia e Tairini.]

sábado, 20 de março de 2010

Humor-negro? Acho que não.

Uma palavra parece me perseguir durante uma semana, um nome também. Talvez até um desenho, ou lembrança(s). Sempre há algo que anda contigo, seja até um pensamento, não importa.
Há semanas, ou dias que manias veem a tona. Manias novas, ou esquecidas. Talvez reveja alguém que te faça lembrar de algo totalmente apagado de sua mente, e não apagado por ser uma lembrança ruim, mas sim pelo execesso de lembranças arquivadas. Há sempre aquelas que deletamos sem querer, pode-se ser uma lembrança da infância ou até mesma algo que vivenciou ontem.
A mente é engraçada. Os pensamentos são engraçados. A vida é engraçada. Nos surpreende até em nossos pensamentos.
E pessoas? Ah, pessoas nem se fala. Complicadas e engraçadas, queridos seres ou talvez apenas colegas de classe ou trabalho.
A mudança, o jeito, a vida, os dias e o tempo. Conjunto engraçado, me intriga. Sou muito curiosa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Meu delírio

Certas palavras mexem comigo junto com seus rítimos que me dominam por completo e me fazem fechar meus olhos e cantar o mais alto que posso mas não com minha voz e sim com o meu coração, expressando o que realmente sinto.
Mexo minha cabeça, faço movimentos ritmados com ela seguindo o som a todo momento.
Se há algo que mexe comigo são músicas. Música.
 Ah!
Mesmo que não sejam criadas por mim mexem comigo, mesmo que eu não a cante, contiunam mexendo comigo de uma forma meia anormal até.
Minha vida tem uma trilha sonora. Há músicas que não pertencem a mim mas fazem parte de mim.
Desde pequena sentia essa ligação que tenho com canções. Sempre fui de cantar. Há pessoas que sabem sobre o meu estado só de prestar atenção em que música estou cantando durante aquele dia.
Certas canções de tornam inesquecíveis. Certas canções tornam pessoas inesquecíveis pelo simples fato de você lembrar-se dela enquanto a ouve.
Para mim uma boa música diz mais que um grande texto, diz mais do que muitas palavras.
A música expressa sentimentos, lembrançam enfim. É algo mágico. Eu a sinto. Não é algo comum. Me domina. É o meu delírio. Meu pequeno delírio. Jogo meus braços para o ar, fecho os meus olhos e me deixo levar, simplesmente me deixo levar.