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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

É tudo, sim, questão de visão. O que é complicado e o que é simples. O que não é preciso, o que é preciso e o que não é preciso mas você faz mesmo assim. Faz porque é preciso pra você. Faz porque, se não fizesse, não faria nada, não sairia do cômodo. É tudo, sim, questão de visão. Visão que se modifica com o tempo. Metamorfoseia. Muda e continua o mesmo. A borboleta que não deixa de ser lagarta. A lagarta que não sabia que viraria borboleta mas ao sentir na sua natureza que sim, caminha para o dia de sim e quando o sim chega, voa. Planeja todos os rodopios enquanto está no casulo e depois voa. Observa o próprio mundo que tem por dentro no casulo. Conhece a si no casulo. Vasculha, pesquisa, questiona o que vem aos seus sentidos (a luz, a noite, o som dos tantos outros animais) e sente. Sente com os sentidos cegos, que se afloram. E voa. Se continuo como estou, é a minha visão. Agora, se como estou é a maneira que eu deveria estar? Essa já é a visão futura, independente de eu continuar ou não. Independente de eu continuar ou não, mudo. Mudo para um caminho meio-caminho-que-sei e outro caminho-não-imagino-como-seja. Nem sempre é possível ver quando chego. Meio é sentido, o outro meio é invisível. Sentido invisível que nos vem a nossa natureza, vivi em nosso coração mas não há forma nem palavra. É sensação perdida, mas muito bem achada. Não sabe conscientemente que está lá, mesmo assim não deixa de estar. É assim a vida, o meio caminho. Meio caminho entre as sensações as de nome e as de sem. Meio caminho entre os planos e o que nunca imaginamos. É assim. Voamos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O que é o nada? Tudo.

Querido Papai Noel,

Tu trouxeste-me um novo coração acompanhado de um presente também renovado. Por isso, neste ano, não preciso de presente algum, um nada estaria ótimo, traria-me sorrisos e mais sorrisos, assim como acontecia quando eu pendurava minhas melhores meias na janela na espera de um presente teu e, no dia seguinte, achava vento. Ficava feliz, contente. O que seria melhor do que nada? O nada, que poderia se transforma em tudo para aqueles que conseguem utilizar um grande artifício da mente para modificar a realidade, a imaginação. Assim, o nada transforma-se naquilo que mais queríamos e poderíamos tê-lo, se imaginássemos.
Agradecer-te seria fazer pouco, pouquíssimo. Hoje considero-me um dos poucos seres humanos que sentem-se felizes com o que têm, não desejam mais um presente de Natal assim como nos anos anteriores.
Deu-me uma lição e tanto, Papai Noel. Espero que outros aprendam contigo da mesma maneira que eu aprendi.

Feliz Natal,

Kim

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O que a história do pensamento trouxe-me esta noite

- Cuidado. Se continuar assim, ficará desinteressada pelo seu próprio mundo e perderá a vontade de viver por achar tudo muito fútil e repetitivo.
- "Tudo muito fútil"?! Desinteressada pelo mundo, eu? Como pôde imaginar uma coisa dessas? Pretendo fazer parte daqueles que vivem bem em cima da pelagem do coelho branco que é tirado da cartola do mágico. [Os dois riram ao ouvirem essa afirmação.] Pretendo olhar bem a fundo dos olhos do mágico e gritar o que vejo para os acomodados que talvez nunca conseguirão ter tal oportunidade e não é porque não podem, pois podem mas não querem. Mas chegando mais ao ponto onde quero chegar... Quando isso, despreocupe-se, não corro risco algum. O desinteresse nunca me encontrará, nunca perderei a vontade de viver por causa das futilidades que há nesse mundo, mas sim encontrar algo para admirar dentre estas futilidades. Farei do meu cotidiado o meu melhor amigo. Ele me trará sorrisos todos os dias, observações, pensamentos novos, brilho no olhar, suspiros, muita admiração e nada de acomodação.
- Estou feliz em ouvi-la pronunciando estas palavras. Saiba que está no caminho certo, assim, não fugirá da lucidez, saberá viver e ser feliz.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Choro da Alma, terceira parte.

No final de tudo, o silêncio continuou no ar. A violência não acabou, apenas fugiu para as sombras, para lugares onde nossos olhos não enxergariam quando entrassem em ação. Vieram com papo de liberdade intelectual mas, depois disso, não encontrei nenhum pensamento novo, nenhuma ideia nova, nada revolucionário. Isto está mais me parecendo com a Idade Média. E a Igreja não é única que anda no poder. Encontrei uma comodidade sem fim em que ouço reclamações sobre mas não vejo movimentarem um músculo para que haja mudanças ou melhoras.
Se tens liberdade, por que não pensas? Se teu pensamento és o limite, por que não crias, homem? Pense por todos os pensamentos que ainda não foram pensados. Fale em tudo que ainda não foi falado. Não se acomode, necessite, pois a criação caminha ao lado da necessidade. Há um mundo de ideias te encarando ao seu redor, elas esperam que você escolha, ao menos, uma delas mas continuas fingindo que não são existentes e as ignora por completo. Ah, homem...

Nota: agora, a Ditadura Militar deixou de ser o personagem principal do meu choro da alma. Enxergue que a violência que falo na primeira linha do texto não é do tipo causada por assaltos, por exemplo, é o tipo que o governo utiliza junto com a sua brutalidade, quando usada.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Choro da Alma, segunda parte.

Imagine seus maiores ídolos morrendo, um após o outro, e suas esperanças e inspirações falecendo. Imagine. Agora, imagine mais: seus familiares também morreriam por um fato que nunca foi atuado por eles, nunca sequer pensado em ser agido. Você sorriria diante de tudo isso? Sentiria-se feliz? Não, claro que não. Agora, imagine, se sua mente permitir, se fosse o governo que fizesse tudo isso contigo e com toda a população brasileira, de maneira que não você não tivesse defesa alguma. Para quem correria? Denunciaria tudo a polícia? Péssima escolha, amigo. Assim, você acabaria na prisão, se tivesse sorte, é claro.
Grandes mentes, brilhantes ideias, uma juventude maravilhosa, a liberdade, a força de uma população, a expressão e o pensamento foram sufocados, limitados ou mortos. Foram perdidos, jogados fora como quem amassa um papel e joga-o no lixo. Restaram-se para causar esse nó na minha garganta que não sai, não me abandona, para causar lágrimas de saudade, de sofrimento, de tristeza, de rancor, de mágoa. Muitos sentimentos ruins, mas como sentir algo bom e bonito num caso desses? Amigo, como uma boa sonhadora, eu sonho alto e, para desafiar o mundo, digo mais: tenho esperança. Ela é pouquinha e pequenina, mas cresce imperceptívelmente a cada dia que se passa. Quando me der por mim, ela será maior que eu mesma e, quando isso acontecer, estarei pronta para liderar esse exército de loucos que pensam como eu. Não estamos aqui para aceitar os fatos de cabeça baixa e sorrir como se tudo estivesse bem. Pense nisso.

Nota da autora: "Não sei se posto ou não, não sei se posto... Ah, vou postar. Hm, melhor não. Pronto, postei." Estava impossível de conviver com todas as palavras sufocadas dentro de mim. Guardo-as há muitos anos junto com a minha coleção de lágrimas que após choradas, seguem-se de um belo sorriso o qual tem como resultado a esperança. Desculpe se exagerei um pouquinho no final do texto. E decidi fazer uma terceira parte para esse texto.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Choro da alma, primeira parte.

Naquele momento, o plano era o seguinte: matar todas as esperanças existentes em todos os corações de uma massa de pessoas, uma população. O plano foi feito com sucesso, salvo algumas exceções que, felizmente, tiveram forças para resistir em tempos tão difícies como aqueles.
Eles não só mataram as esperanças, mas também ideias inovadoras junto com seus criadores; mataram o bom gosto do povo sobre muitas artes, como a música e a poesia. O Brasil era todo Chico Buarque, Renato Russo, Juscelino Kubitschek e todo Karl Marx.
Nós enxergávamos bem, sabíamos usar nossos olhos. Falávamos sobre certos assuntos corretamente, como quem fosse mestre naquilo, tome a política como exemplo, pois qualquer jovem de quinze anos em diante tinha uma opinião (muito bem) formulada sobre ela. Não éramos alienados aos acontecimentos do governo, a televisão mostrava o que deveria mostrar e não somente o que gostaria que soubéssemos.
Sonho com que esses tempos voltem. Chorarei eternamente pelo o que reprimiu tais tempos tão intensamente que sonhar com sua volta parece ser um sonho impossível. Alias, todos que viveram-no, choram. Estas lágrimas já caíram pelo canto de nossos olhos inumeravelmente de vezes e não foi o suficiente para tamanha tristeza. A alma decidiu fazer um favor  para olhos tão cansados: encranhar tais lágrimas dentro de si. Quando lágrimas chegam na alma, é uma viagem sem volta. Não houve escolha, pois não tinha como esquecer, como parar de sofrer.
Ainda choramos pelas ideias, pelas boas vontades, os bons corações, os bons brasileiros, os que sabiam fazer história que morreram junto com a morte do bom tempo. Choramos por termos morrido por dentro. Choramos por vermos as consequências de toda essa morte atingir este novo século que estamos. Alias, uma curiosidade, você enxerga as consequências com clareza ou seus olhos ainda estão vendados? Se estiveram, não te culpo, é difícil tirar tais vendas, só te peço para lutar contra elas e conseguir vencê-las antes que deixe esse mundo. Veria tudo tão diferente que seria uma pena morrer sem saber da verdade que não é dita nunca, que muitos sabem mas que guardam-nas como se fossem segredo de Estado.
Conheça melhor os fatos, não deixe-se manipular e ser usado como mais uma ferrementa para a política, o capitalismo e o mundo. Não seja somente mais um nesse mundo, mostre o quanto humano você é e use a sua mente para pensar. Essa é a maior diferença entre os humanos com os demais animais, nós somos capazes de elaborar nossos próprios pensamentos. Honre esse dom. Se ele estiver morto, sobreviva-o. Assim, você também sobreviverá.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Lembranças trazem vida

Escrever é uma forma de relembrar o passado, relembrar o que eu sentia, relembrar como eu já fui um dia. Essas lembranças podem ser boas ou ruins; podem ser anjos ou fantasmas. Elas podem acabar com a sua vida ou fazer com que você viva, que tenha motivos para isso e não desista.
As lembranças definem quem somos e quem vamos ser. Elas nos ajudam a seguir ou a andar para trás. Ajudam no que devemos pensar, nas opiniões que devemos formar e como reagiremos contra o mundo. Elas nos ajudam a fazer escolhas já que são frutos de uma experiência vivida que, de alguma maneira, acrescentou algo a você, a sua personalidade, ao seu ser.
Não corra das lembranças por mais que sejam assombrosas. Elas definem quem você realmente é, definem seus sentimentos em certos momentos, ações e pensamentos. Sem elas, nada disso existiria. É melhor tê-las do que não tê-las e ser constituído por um vazio. Um completo vazio, sem nada a acrescentar ao próximo, a ensinar e repassar experiências de vida.
Sem momentos, não há lembranças. Sem lembranças, não vida. Portanto, tente viver em paz com cada uma delas e façam de vocês boas amigas. Tenha uma vida e crie seus próprios momentos para que posso relembrar deles num futuro distante ou próximo.